terça-feira, 20 de março de 2012

O Complexo de Jocasta



O termo Complexo de Jocasta foi proposto por Raymond de Saussure quase 100 anos atrás. Ele designa a ligação afetiva deturpada que algumas mães sentem por seus filhos. Uma forma de amor que pode variar desde a superproteção com características simbióticas até fixações sexuais em relação ao filho.
É mais comum encontrarmos a variação do complexo de Jocasta naquela mãe que parece que não quer que seu filho cresça – pois significa que ele se afastaria dela. Que seja sempre “SEU bebê”.  Jocasta foi a mãe de Édipo, posteriormente sua esposa e mãe de suas quatro filhas.

Tudo bem, entendo que quase sempre ao mesmo tempo em que os pais ficam contentes por verem o desenvolvimento de seus filhos eles podem sentir aquela tristeza de vê-los ficando independentes… isso não é sinônimo de  complexo de Jocasta. O problema ocorre quando os pais não enxergam (negação) que os filhos devem ter outros papéis na vida para que sejam felizes.
É aquela mãe que não aceita nenhuma das namoradas que o filho escolhe… Como se o filho ainda fosse dependente e não soubesse fazer escolhas. Ela é quem sabe.
É aquela mãe superprotetora que vê o filho já grande cometendo atrocidades e ela ainda assim o protege… como se ele fosse incapaz de ser responsabilizado.
É a mãe que o superprotege fazendo tudo por esse filho – desde sua comidinha favorita até se matando para agradá-lo em suas necessidades mais caras e extravagantes. Como se ele próprio não pudesse trabalhar ou fazer sacrifícios para realizá-la. E o que vem fácil geralmente não tem valor.
A consequência desse tipo de comportamento é um adulto infantilizado e narcisista que não consegue assumir compromissos na vida. Espera ser servido. Não tem limites e pode manipular os outros em seu próprio benefício por considerar-se muito especial. Sim, pois ele sempre esteve neste lugar, neste pedestal. E a vida real – e os relacionamentos com as mulheres reais – fica muito difícil de ser levado já que o lugar junto à mãe é muito mais sedutor.
Uma mulher que não tem o marido para si ainda pode ter vida própria e não ver nos filhos toda a responsabilidade por sua realização.
Quando os pais são felizes e exercem outros papéis (profissional, social, sexual, etc.) os filhos ganham esses mesmos direitos e a educação não será sinônimo de dívida e sedução e sim de amor, preparação para a vida e apoio.
É a velha e sábia história que diz que os filhos devem ser criados para o mundo…

Texto de Ana Luisa Testa, psicóloga clínica com especialização em psicoterapia corporal.

2 comentários:

  1. Muito bom o texto. Isso é mais comum do que imaginamos. Bem como o complexo de Édipo.

    Beijos e Parabéns de novo.

    ResponderExcluir
  2. Muito comum mesmo, o difícil é fazer com que as pessoas envolvidas acordem p isso!! Obrigada amiga! bjo

    ResponderExcluir