É Proibido Alimentar o Preconceito!


Muito se fala dessa tal liberdade, desse direito pleno e inviolável que todo ser humano possui, desde os primeiros passos fora do útero. Até andam dizendo por aí que o hímen da censura, aos poucos, tem sido perfurado e que agora sangra, graças ao grito daqueles que cansaram da mordaça. Estamos na era do receptor ativo, de pessoas que cansaram de engolir a informação à força e de não ter nenhum palco para criticá-la. A prova disso é o crescimento demográfico desse país virtual chamado Facebook, lugar onde todos podem abrir bem a boca, ou melhor, “pixealizar” qualquer pensamento, ideia genial ou até mesmo ignorância. Agora, no lugar das pedras e paus, temos nas mãos os posts e compartilhamentos, armas de maior alcance e potencialmente letais quando usadas corretamente. Mas, será que em muitos casos, sem ao menos perceber, não estamos utilizando esse amplificador de vozes para propagar e perpetuar preconceitos que morreriam se fossem de vez esquecidos com o silêncio? Será que nós não estamos compartilhando sementes venenosas, enquanto ingenuamente achamos que divulgamos piadas e risos? Será que sem saber, ou perceber, não estamos, de certa forma, perpetuando pensamentos fora de moda?
Sim, imagino que agora estão pensando que endoidei de vez ou que estou filosofando, graças ao efeito de potentes alucinógenos. Nada disso. Escrevo da cidade de São Paulo e estou longe de possuir hábitos legalmente aceitos em Amsterdã ou em Kingston na Jamaica, mas venho, por meio desse texto, chacoalhar um pouco essa sua cabeça e tentar, quem sabe assim, cortar um pouco desses fios que movem o meu, o seu, o nosso corpanzil de marionete. Quero com esses parágrafos mostrar o quanto você e eu, sem perceber, muitas vezes estamos contribuindo para a existência de moralismos desnecessários e perpetuando preconceitos, aparentemente hibernados.
Na prática, é assim: um homem, mesmo sem acreditar na existência de um sexo superior, resolve, apenas em prol do riso, postar uma piada que coloca a mulher em uma posição de inferioridade social. Ele faz isso ingenuamente, apenas para divertir os amigos. Ele não acha que está fazendo mal nenhum à sociedade, afinal, para ele o fato de não existir sexo superior é algo muito claro. E é aí que mora o grande perigo. Sem saber, esse homem jogou mais lenha em uma fogueira que precisa ser apagada urgentemente. Sem perceber, esse cara fortaleceu uma mentira que infelizmente cairá direto na mamadeira das gerações ainda sem opinião e que assim ajudará a formá-las com julgamentos negativos, impedindo que uma comparação óbvia e natural entre os sexos, por exemplo, resulte no também óbvio e natural resultado, chamado igualdade social.
A chama do preconceito não é mantida acesa apenas devido às piadas, aparentemente inofensivas e milhões de vezes compartilhadas. Esse tipo de rótulo, que diz ter veneno em frascos de água potável, continua colado em cenas de filmes com grandes bilheterias, nas vozes que ensinam filhos a julgar em vez de respeitar e nas entrelinhas de mandamentos escritos por falsos guias espirituais.
E assim, sem notar, fortalecemos nossa própria prisão. Através do aparentemente inofensivo humor, contribuímos para que mulheres que não querem ter filhos sejam olhadas na rua de forma tortuosa. Fazemos com que os homossexuais sejam vistos por muitos como doentes e fazemos com que simples solteiros sejam chamados de encalhados. Dessa forma, marchamos rumo ao passado e voltamos muitas casas no jogo da vida.

Este é mais um incrível texto de Ricardo Coiro, para o site Casal Sem Vergonha
Sou fã do Ricardo! rs 

4 comentários:

  1. Realmente, o texto é ótimo! E chega de preconceito, não é?
    Ah, graças a vc eu tb virei fã do Ricardo... Que gatoooo! kkk
    Bjkas!

    Carol

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    1. Eh amiga, ele tem textos maravilhosos! Dá uma olhada no site www.casalsemvergonha.com.br e na fan page O Cafamântico, do Facebook. Sempre tem novidades dele p lá!
      Ah... tb acho gato, viu? kkk
      Bjo!

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  2. Respostas
    1. Que prazer te ver por aqui! :)
      Sou sua fã e vou comprar o seu livro! Bjo

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